A dor na região lombar baixa e glútea é uma das queixas mais frequentes em consultas de dor crônica. Quando a causa está na articulação sacroilíaca, o paciente pode passar por meses — ou anos — de tratamentos direcionados à coluna vertebral sem obter melhora significativa. O motivo é simples: a origem da dor não foi corretamente identificada.
A articulação sacroilíaca é uma fonte de dor subestimada, mas que responde muito bem a tratamentos minimamente invasivos quando o diagnóstico é preciso.
O que é a articulação sacroilíaca
A articulação sacroilíaca (ASI) é uma articulação pareada que conecta o sacro (a base da coluna vertebral) ao osso ilíaco (parte da pelve), de cada lado. Ela funciona como um ponto de transferência de carga entre a coluna e os membros inferiores, absorvendo e distribuindo as forças geradas ao caminhar, ficar de pé e realizar movimentos do tronco.
Apesar de ter pouca amplitude de movimento, a articulação sacroilíaca está sujeita a processos degenerativos, inflamatórios e biomecânicos que podem torná-la uma fonte significativa de dor. Estima-se que a ASI seja responsável por 15% a 30% dos casos de dor lombar crônica, um percentual expressivo que muitas vezes é negligenciado na investigação diagnóstica.
Sintomas da dor sacroilíaca
A dor originada na articulação sacroilíaca apresenta características que ajudam o especialista a suspeitar da sua origem:
- Dor na região glútea — tipicamente unilateral, na nádega, logo abaixo da cintura. Muitos pacientes apontam para a região com o polegar, em um gesto conhecido como “sinal de Fortin”;
- Dor lombar baixa — localizada abaixo de L5, diferente da dor lombar alta ou média típica de hérnias de disco;
- Irradiação para a coxa — a dor pode se irradiar para a face posterior da coxa, mas raramente ultrapassa o joelho (diferenciando-se da ciática clássica);
- Piora ao ficar de pé por longos períodos — a carga sobre a articulação é máxima na posição ereta;
- Piora ao subir escadas ou levantar-se de uma cadeira — movimentos que exigem transferência de carga pela articulação;
- Dor ao virar na cama — um sintoma frequente que afeta a qualidade do sono;
- Rigidez matinal — melhora gradualmente com o movimento ao longo do dia.
Diagnóstico da dor sacroilíaca
O diagnóstico da dor sacroilíaca é um dos mais desafiadores na medicina da dor, pois a região anatômica é complexa e a dor se sobrepõe a outras condições lombares.
Exame clínico
O exame físico inclui uma bateria de testes provocativos específicos para a articulação sacroilíaca. Quando três ou mais desses testes são positivos, a probabilidade de a dor originar-se na ASI aumenta significativamente. Entre os testes mais utilizados estão o teste de Gaenslen, o teste de Patrick (FABER), a compressão sacroilíaca e a distensão pélvica.
Bloqueio diagnóstico guiado por imagem
O padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de dor sacroilíaca é o bloqueio diagnóstico: a injeção de anestésico local diretamente na articulação, sob guia de fluoroscopia ou ultrassonografia. Se a dor do paciente alivia significativamente (geralmente 75% ou mais) após o bloqueio, confirma-se que a ASI é a fonte da dor.
Esse passo diagnóstico é fundamental por dois motivos: confirma a origem da dor e prediz a resposta ao tratamento definitivo. Sem essa confirmação, qualquer intervenção subsequente seria baseada em suposição.
O procedimento de infiltração guiada por imagem é realizado de forma ambulatorial, com anestesia local, e o paciente retorna para casa no mesmo dia.
Tratamentos conservadores
A primeira linha de tratamento para a dor sacroilíaca inclui medidas conservadoras que podem ser suficientes em casos leves a moderados:
- Fisioterapia — o fortalecimento da musculatura estabilizadora da pelve (glúteos, core, assoalho pélvico) é essencial. Técnicas de terapia manual e mobilização articular também podem trazer alívio;
- Medicamentos — anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), analgésicos e relaxantes musculares controlam a dor durante a fase aguda;
- Mudanças ergonômicas — evitar posturas que sobrecarreguem a articulação, como ficar sentado com as pernas cruzadas por longos períodos ou carregar peso de forma assimétrica;
- Cintas sacroilíacas — podem oferecer suporte temporário e alívio em fases agudas, embora não devam ser usadas como solução permanente.
Infiltração guiada por imagem: diagnóstica e terapêutica
A infiltração da articulação sacroilíaca guiada por imagem cumpre dupla função: diagnóstica e terapêutica. Além de confirmar a origem da dor, a injeção de corticoide associada ao anestésico promove redução da inflamação articular, proporcionando alívio que pode durar semanas a meses.
Em muitos pacientes, a infiltração com corticoide é suficiente para controlar a dor e permitir a reabilitação. Quando o alívio é temporário ou a dor retorna de forma consistente, o próximo passo terapêutico é considerado.
O procedimento é realizado em ambiente controlado, sob guia de fluoroscopia ou ultrassonografia, com duração aproximada de 15 a 30 minutos. O paciente permanece em observação breve e retorna para casa no mesmo dia.
Radiofrequência da articulação sacroilíaca
Para pacientes que apresentam alívio temporário com as infiltrações mas recorrência consistente da dor, a radiofrequência dos ramos laterais do sacro é uma opção de tratamento que oferece alívio mais prolongado.
O procedimento consiste na aplicação de energia térmica controlada nos nervos que transmitem a dor da articulação sacroilíaca ao cérebro. A lesão térmica interrompe a condução dos sinais dolorosos, proporcionando alívio que pode durar de seis meses a mais de um ano.
A radiofrequência da ASI é realizada sob guia de imagem, com anestesia local e testes de estimulação para confirmar o posicionamento preciso. O procedimento é ambulatorial, com recuperação rápida — a maioria dos pacientes retoma atividades habituais em poucos dias.
Quando a dor retorna (devido à regeneração nervosa), o procedimento pode ser repetido com segurança.
Agende sua avaliação
Na AVA Clínica em Fortaleza, o Núcleo de Dor realiza a investigação completa da dor sacroilíaca, incluindo exame clínico especializado, bloqueios diagnósticos guiados por imagem e tratamentos intervencionistas como infiltrações e radiofrequência. Todos os procedimentos são realizados com guia de imagem e seguindo os mais elevados padrões de segurança.
Se você convive com dor na região glútea ou lombar baixa que não melhora com tratamentos convencionais, o diagnóstico preciso da origem é o passo mais importante. Agende sua consulta pelo WhatsApp da AVA Clínica e inicie o caminho para o alívio.