Neste artigo
A radiofrequência para dor é uma das técnicas mais utilizadas na medicina da dor intervencionista. No entanto, o termo “radiofrequência” abrange duas modalidades distintas — pulsada e contínua — que diferem em mecanismo de ação, indicações e resultados esperados. Compreender essas diferenças é essencial para que o paciente saiba o que esperar do tratamento. Para uma visão geral do procedimento, veja como funciona a radiofrequência.
O que é radiofrequência médica
A radiofrequência médica consiste na aplicação de energia eletromagnética sobre estruturas nervosas por meio de uma agulha especial, conectada a um gerador. Essa energia interage com o tecido nervoso e modifica sua capacidade de transmitir sinais de dor ao cérebro.
O procedimento é minimamente invasivo, feito sob anestesia local e guiado por imagem (ultrassonografia ou fluoroscopia, conforme a técnica). Na AVA Clínica, os procedimentos são guiados por ultrassom; quando a técnica exige fluoroscopia, o procedimento é realizado em ambiente hospitalar. Antes de cada aplicação, testes de estimulação sensitiva e motora confirmam o posicionamento correto da agulha, aumentando a segurança e a precisão.
A diferença entre as duas modalidades está na forma como a energia é entregue ao tecido e no efeito biológico resultante.
Radiofrequência pulsada: neuromodulação sem lesão
Como funciona
Na radiofrequência pulsada, a energia é emitida em ciclos intermitentes — tipicamente 20 milissegundos de pulso seguidos de 480 milissegundos de pausa. Essa alternância permite que o calor se dissipe entre os pulsos, mantendo a temperatura do tecido abaixo de 42 graus Celsius.
Mecanismo de ação
O mecanismo é neuromodulador. A energia elétrica gera campos eletromagnéticos intensos que alteram a expressão gênica e a atividade sináptica do nervo, modificando a forma como ele processa e transmite os sinais de dor. O nervo permanece estruturalmente íntegro — não há destruição de fibras nervosas.
Indicações principais
A radiofrequência pulsada é especialmente indicada quando se deseja modular a dor sem causar lesão nervosa:
- Neuralgias — neuralgia do trigêmeo, neuralgia occipital, neuralgias intercostais;
- Dor neuropática periférica — em nervos sensitivos que não podem ser lesionados;
- Dor radicular — aplicação no gânglio da raiz dorsal;
- Situações em que o nervo-alvo tem função mista (sensitiva e motora) — onde uma lesão térmica poderia causar déficit funcional.
Resultados
- Alívio da dor em 50% a 70% dos pacientes adequadamente selecionados;
- Duração do efeito: tipicamente 3 a 6 meses, podendo variar;
- Possibilidade de repetição do procedimento quando necessário.
Radiofrequência contínua: ablação térmica controlada
Como funciona
Na radiofrequência contínua, a energia é emitida de forma ininterrupta, elevando a temperatura do tecido a 60-80 graus Celsius por um período de 60 a 90 segundos. Esse calor sustentado causa uma lesão térmica controlada na fibra nervosa.
Mecanismo de ação
O mecanismo é ablativo. O calor causa desnaturação proteica e coagulação do tecido nervoso, interrompendo fisicamente a transmissão dos sinais de dor. Trata-se de uma neurotomia térmica — o nervo é lesionado de forma controlada e reversível, pois ao longo de meses ele pode se regenerar.
Indicações principais
A radiofrequência contínua é indicada quando se deseja um efeito mais intenso e prolongado:
- Síndrome facetária — dor originada nas articulações facetárias da coluna cervical, torácica ou lombar (indicação mais frequente; saiba mais sobre a dor facetária);
- Dor sacroilíaca — radiofrequência dos ramos laterais do sacro;
- Dor articular crônica — em articulações com inervação predominantemente sensitiva;
- Coccigodinia (dor no cóccix) — em casos selecionados.
Resultados
- Alívio significativo em 70% a 80% dos pacientes;
- Duração do efeito: 6 a 18 meses, podendo se estender por mais tempo;
- O procedimento pode ser repetido com eficácia semelhante à primeira aplicação.
Quadro comparativo
Para facilitar a compreensão, apresentamos as principais diferenças entre as duas modalidades:
- Temperatura — Pulsada: abaixo de 42 graus Celsius / Contínua: 60-80 graus Celsius;
- Mecanismo — Pulsada: neuromodulação / Contínua: ablação térmica;
- Lesão nervosa — Pulsada: não causa lesão estrutural / Contínua: causa lesão controlada e reversível;
- Duração do alívio — Pulsada: 3-6 meses / Contínua: 6-18 meses;
- Taxa de sucesso — Pulsada: 50-70% / Contínua: 70-80%;
- Indicação principal — Pulsada: neuralgias, dor neuropática / Contínua: dor facetária, sacroilíaca;
- Risco de déficit motor — Pulsada: mínimo / Contínua: baixo, mas requer seleção cuidadosa do nervo-alvo.
Como o médico decide qual utilizar
A escolha entre radiofrequência pulsada e contínua depende de uma análise clínica cuidadosa que considera múltiplos fatores:
Origem e tipo da dor
Dores de origem articular (facetária, sacroilíaca) respondem melhor à radiofrequência contínua, enquanto dores de origem neuropática ou que envolvem nervos com função mista se beneficiam mais da modalidade pulsada.
Função do nervo-alvo
Quando o nervo-alvo possui função exclusivamente sensitiva (como os ramos mediais que inervam as articulações facetárias), a ablação térmica é segura. Quando há componente motor significativo, a neuromodulação com radiofrequência pulsada preserva a função.
Resposta a bloqueios diagnósticos
Antes de indicar a radiofrequência, o médico geralmente realiza bloqueios diagnósticos — infiltrações guiadas por imagem com anestésico local no nervo-alvo. Se o bloqueio alivia a dor temporariamente, confirma-se que aquele nervo é responsável pela dor e a radiofrequência tem maior chance de sucesso.
Expectativas e perfil do paciente
O médico considera também o impacto da dor na qualidade de vida, tratamentos anteriores, comorbidades e as expectativas do paciente em relação ao procedimento.
Resultados esperados de cada modalidade
Radiofrequência pulsada
O alívio costuma se manifestar de forma gradual, ao longo de dias a semanas após o procedimento. O efeito neuromodulador é cumulativo e pode ser potencializado com a repetição em intervalos adequados. Essa modalidade é frequentemente combinada com outras abordagens terapêuticas — medicamentos, reabilitação e outras técnicas intervencionistas — para maximizar o resultado.
Radiofrequência contínua
O alívio pode ser percebido de forma mais rápida, muitas vezes já nas primeiras semanas. É esperado algum desconforto local nos dias seguintes ao procedimento, decorrente da lesão térmica, que cede progressivamente. A resposta plena costuma se consolidar em 2 a 4 semanas.
Em ambas as modalidades, o sucesso depende fundamentalmente da seleção adequada do paciente e da precisão na realização do procedimento.
Riscos e contraindicações
Como todo procedimento, a radiofrequência tem riscos, em geral pouco frequentes: dor ou queimação temporária no local, dormência, infecção e sangramento. Após a radiofrequência contínua (térmica), a dormência pode ser persistente. Quem usa anticoagulantes, tem infecção ativa ou marcapasso precisa de avaliação específica. Na neuralgia do trigêmeo, pode ficar uma dormência facial residual.
Radiofrequência na AVA Clínica
Na AVA Clínica em Fortaleza, os procedimentos de radiofrequência — tanto pulsada quanto contínua — são realizados pelo Dr. Enrico Pinheiro, neurocirurgião (CRM CE 13428 | RQE 9697). Na clínica, os procedimentos são guiados por ultrassom; quando a técnica exige fluoroscopia, são realizados em ambiente hospitalar. Todos são precedidos de avaliação clínica detalhada, incluindo bloqueios diagnósticos quando indicados. O Núcleo da Dor atende particular e diversos convênios — veja os planos aceitos.
Agende sua avaliação
Se você convive com dor crônica e deseja saber se a radiofrequência pode ser indicada para o seu caso, agende uma consulta de avaliação. O médico identificará a origem da dor, realizará os testes diagnósticos necessários e definirá o plano de tratamento.
Entre em contato pelo WhatsApp da AVA Clínica e nossa equipe organizará um horário para você.


