Neste artigo
A neuralgia do trigêmeo está entre as dores faciais mais intensas descritas na medicina e pode afetar muito a alimentação, o sono e a vida social. Existem tratamentos eficazes para controlar as crises.
O que é neuralgia do trigêmeo
A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica que afeta o nervo trigêmeo, o quinto par de nervos cranianos. Esse nervo é responsável pela sensibilidade da face — testa, bochechas, mandíbula, dentes, gengivas, lábios e parte do nariz.
Na neuralgia, o nervo passa a enviar sinais de dor intensos e involuntários ao cérebro, mesmo sem a presença de um estímulo doloroso real. Trata-se de uma dor neuropática — ou seja, originada no próprio sistema nervoso — e não de uma dor causada por lesão nos tecidos da face.
Causas
A causa mais frequente é a compressão vascular — uma artéria ou veia que, ao longo dos anos, passa a tocar e comprimir o nervo trigêmeo próximo ao tronco encefálico. Essa pressão constante danifica a bainha de mielina (revestimento protetor do nervo), tornando-o hipersensível.
Outras causas incluem:
- Esclerose múltipla — desmielinização do nervo no sistema nervoso central;
- Tumores — que comprimem o nervo em seu trajeto;
- Causas idiopáticas — quando nenhuma causa estrutural é identificada.
Características da dor
A dor da neuralgia do trigêmeo possui características muito específicas que a distinguem de outros tipos de dor facial.
Tipo de dor
A dor é descrita como choques elétricos intensos, pontadas ou facadas que surgem de forma súbita e duram de poucos segundos a até dois minutos. Os episódios podem se repetir dezenas ou centenas de vezes ao dia, em séries que podem durar semanas ou meses.
Gatilhos
Uma das características mais marcantes é a presença de gatilhos triviais que desencadeiam as crises:
- Mastigar alimentos;
- Falar ou sorrir;
- Tocar levemente o rosto — ao lavar, barbear ou aplicar maquiagem;
- Escovar os dentes;
- Vento frio no rosto;
- Beber água — especialmente gelada.
Localização
A dor geralmente acomete um lado do rosto (unilateral) e afeta mais frequentemente as divisões V2 (maxilar — bochecha, nariz, lábio superior) e V3 (mandibular — mandíbula, lábio inferior, queixo). A divisão V1 (oftálmica — testa) é menos frequente.
Padrão temporal
A neuralgia do trigêmeo costuma apresentar períodos de crise (com episódios frequentes) alternados com períodos de remissão (sem dor). Com o passar do tempo, os períodos de remissão tendem a se encurtar e a dor pode se tornar mais constante.
Diagnóstico
O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é fundamentalmente clínico — baseado na história detalhada da dor e nas características descritas pelo paciente.
Avaliação clínica
O médico analisa o padrão da dor, os gatilhos, a localização, a duração dos episódios e a resposta a medicamentos. A combinação de dor em choque elétrico, gatilhos faciais e distribuição em território do trigêmeo é altamente sugestiva do diagnóstico.
Ressonância magnética
A ressonância magnética do encéfalo é o exame complementar fundamental. Ela permite:
- Identificar compressão vascular do nervo trigêmeo;
- Excluir causas secundárias como tumores ou lesões desmielinizantes;
- Avaliar a integridade do nervo.
Protocolos específicos de ressonância, com sequências voltadas para nervos cranianos e vasos sanguíneos, aumentam a sensibilidade para detectar se há um vaso comprimindo o nervo.
Tratamento medicamentoso
O tratamento inicial da neuralgia do trigêmeo é medicamentoso, e a resposta aos fármacos é um dos critérios que reforçam o diagnóstico.
Medicamentos estabilizadores de membrana nervosa
Os medicamentos de primeira linha para a neuralgia do trigêmeo são os estabilizadores de membrana nervosa, que reduzem a excitabilidade do nervo e diminuem a frequência e a intensidade das crises. A dose é ajustada progressivamente até o controle adequado da dor, conforme avaliação médica.
Outros medicamentos
Em casos mais refratários, podem ser associados:
- Relaxantes com ação no sistema nervoso — que atuam sobre a transmissão nervosa;
- Moduladores da dor neuropática — que ajudam a controlar a sensibilidade excessiva do nervo.
O ajuste medicamentoso requer acompanhamento cuidadoso, com monitoramento de efeitos colaterais (sonolência, tontura, alterações nos exames de sangue e fígado) e exames laboratoriais periódicos. O tipo de medicamento e a dose são definidos pelo médico conforme cada caso.
Tratamento intervencionista
Quando o tratamento medicamentoso não é suficiente, causa efeitos colaterais intoleráveis ou perde eficácia com o tempo, existem opções intervencionistas eficazes.
Bloqueios do nervo trigêmeo
Os bloqueios com anestésicos locais em pontos específicos do trajeto do nervo trigêmeo podem oferecer alívio temporário e servem como ferramenta diagnóstica e terapêutica complementar.
Radiofrequência do gânglio trigeminal
A radiofrequência do gânglio de Gasser (gânglio trigeminal) é uma das técnicas percutâneas mais utilizadas. Realizada por via transoval (através do forame oval na base do crânio), ela aplica energia térmica controlada sobre as fibras do nervo, interrompendo seletivamente a transmissão da dor. Na AVA Clínica, a avaliação e o acompanhamento são feitos no Núcleo da Dor; quando indicado, o procedimento em si é realizado em ambiente hospitalar.
- Taxa de alívio inicial: 90% a 97% dos pacientes;
- Recorrência: possível em 15% a 20% dos casos ao longo dos anos;
- O procedimento pode ser repetido quando necessário.
Outras técnicas percutâneas
- Compressão por balão — um microbalão é inflado no gânglio trigeminal, causando lesão mecânica das fibras de dor;
- Rizotomia com glicerol — injeção de uma substância no gânglio que interrompe seletivamente a transmissão da dor.
Riscos e contraindicações
Como todo procedimento, as técnicas percutâneas têm riscos, em geral pouco frequentes: dor ou queimação temporária no local, infecção e sangramento. Após a radiofrequência térmica do gânglio de Gasser, é esperada alguma dormência facial, que pode ser persistente; mais raramente podem ocorrer fraqueza para mastigar, redução da sensibilidade da córnea (com risco de ceratite) e anestesia dolorosa. Quem usa anticoagulantes, tem infecção ativa ou marcapasso precisa de avaliação específica.
Cirurgia (descompressão microvascular)
Para pacientes com compressão vascular documentada e boas condições clínicas, a descompressão microvascular (cirurgia de Jannetta) é a opção com maior chance de controle duradouro da dor. Trata-se de uma cirurgia craniana em que o vaso é afastado do nervo e isolado com um pequeno feltro de Teflon.
Quando procurar um especialista
Procure avaliação especializada se você apresenta:
- Dor facial intensa em choque elétrico, de início súbito;
- Dor desencadeada por atividades triviais como mastigar, falar ou tocar o rosto;
- Dor que não melhora com analgésicos comuns;
- Episódios que se tornam mais frequentes ou mais intensos com o tempo;
- Impacto significativo na alimentação, higiene oral, vida social ou trabalho.
Quanto mais cedo o diagnóstico correto é estabelecido, maiores são as chances de controle eficaz da dor e preservação da qualidade de vida.
Agende sua avaliação
Na AVA Clínica em Fortaleza, o atendimento de neuralgia do trigêmeo é realizado pelo Dr. Enrico Pinheiro, neurocirurgião (CRM CE 13428 | RQE 9697), com experiência em tratamento clínico e intervencionista dessa condição.
Saiba mais sobre o tratamento da neuralgia do trigêmeo em Fortaleza. O Núcleo da Dor atende particular e diversos convênios — veja os planos aceitos.
Se você ou alguém que conhece convive com dor facial intensa e recorrente, o primeiro passo é uma consulta de avaliação detalhada. Entre em contato pelo WhatsApp da AVA Clínica e nossa equipe organizará um horário para você.


