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Conviver com enxaqueca crônica significa muito mais do que ter dores de cabeça frequentes. Significa cancelar compromissos, perder dias de trabalho e desenvolver dependência de analgésicos que, muitas vezes, deixam de funcionar. Muitos pacientes desconhecem que existem tratamentos eficazes muito além da medicação oral.
Se você convive com enxaqueca crônica em Fortaleza e sente que os remédios já não dão conta, este artigo apresenta abordagens que podem complementar o tratamento. Veja também como funciona o tratamento de enxaqueca na AVA Clínica.
O que caracteriza a enxaqueca crônica
A enxaqueca crônica é definida pela Sociedade Internacional de Cefaleia (IHS) como dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, durante pelo menos 3 meses consecutivos, sendo que em ao menos 8 desses dias a dor apresenta características de enxaqueca (unilateral, pulsátil, moderada a forte, com náusea ou sensibilidade à luz e ao som).
Diferença entre enxaqueca episódica e crônica
- Enxaqueca episódica: crises ocorrem menos de 15 dias por mês e respondem bem a tratamentos agudos;
- Enxaqueca crônica: a frequência ultrapassa os 15 dias mensais, com comprometimento severo do sono, humor, produtividade e relacionamentos.
A transição de episódica para crônica é gradual e está associada a uso excessivo de analgésicos, estresse persistente, distúrbios do sono e ausência de prevenção adequada. A OMS classifica a enxaqueca crônica como uma das condições mais incapacitantes do mundo.
Limitações do tratamento apenas com medicamentos
Medicamentos orais são fundamentais, mas quando a enxaqueca se torna crônica, a medicação sozinha frequentemente encontra seus limites:
- Cefaleia por uso excessivo de analgésicos: o uso frequente de dipirona, paracetamol e anti-inflamatórios pode paradoxalmente piorar as dores, criando um ciclo vicioso;
- Efeitos colaterais de uso crônico: medicamentos preventivos orais podem causar ganho de peso, sonolência e alterações cognitivas;
- Resposta insuficiente: muitos pacientes crônicos não respondem à medicação oral isolada, necessitando de uma abordagem multimodal.
É nesse cenário que os tratamentos intervencionistas podem complementar a prevenção. Entre as opções de prevenção também estão:
- Anticorpos monoclonais anti-CGRP: injeções mensais ou trimestrais para prevenção, indicadas pelo médico em casos selecionados.
Toxina botulínica para enxaqueca
A aplicação de toxina botulínica tipo A para enxaqueca crônica é um dos avanços mais significativos no tratamento da dor de cabeça nas últimas décadas.
Protocolo PREEMPT
A indicação para enxaqueca crônica é aprovada pela ANVISA para o medicamento, e a aplicação segue o protocolo PREEMPT, validado por estudos clínicos de grande escala. O protocolo usa 155 unidades em 31 pontos fixos (podendo chegar a 195 unidades em 39 pontos), distribuídos por sete regiões da cabeça e do pescoço:
- Testa;
- Entre as sobrancelhas;
- Raiz do nariz;
- Têmporas;
- Parte posterior da cabeça;
- Nuca (musculatura posterior do pescoço);
- Trapézio (entre o pescoço e os ombros).
Como funciona
O mecanismo de ação vai além do simples relaxamento muscular. A toxina botulínica bloqueia a liberação de substâncias relacionadas à dor nas terminações nervosas periféricas. Isso reduz a sensibilização do sistema nervoso que perpetua a enxaqueca crônica.
Resultados e frequência
- A reaplicação é feita a cada 12 semanas, e a resposta costuma ser avaliada após 2 a 3 ciclos;
- A melhora costuma ser progressiva, com resultados mais expressivos ao longo das sessões seguintes;
- Nos estudos PREEMPT, após 24 semanas, os pacientes tratados tiveram em média cerca de 8 dias a menos de cefaleia por mês, contra cerca de 6,6 dias no grupo placebo. O benefício é real, mas varia bastante entre pacientes;
- O tratamento é coberto por alguns planos de saúde quando há indicação formal documentada.
A comprovação científica é robusta: a toxina botulínica para enxaqueca crônica é recomendada por diretrizes internacionais de neurologia e cefaleia.
Bloqueios anestésicos e infiltrações
Além da toxina botulínica, outros procedimentos intervencionistas oferecem alívio significativo, especialmente como complemento ao tratamento preventivo.
Bloqueio de nervo occipital maior
O nervo occipital maior é frequentemente envolvido em quadros de enxaqueca. O bloqueio consiste na infiltração de anestésico local na região da nuca, com alívio que pode durar de semanas a meses, servindo como ponte enquanto outros tratamentos atingem seu efeito pleno.
Infiltração de pontos-gatilho
Pontos-gatilho miofasciais na musculatura cervical e pericraniana agravam a enxaqueca. A infiltração direta com anestésico local promove desativação da contração muscular e alívio rápido. Ambos os procedimentos são ambulatoriais e permitem retorno imediato às atividades.
Infiltração guiada por imagem
A precisão na aplicação de bloqueios e infiltrações faz diferença direta no resultado e na segurança do procedimento. A ultrassonografia permite que o médico visualize em tempo real as estruturas anatômicas — nervos, vasos, músculos — e direcione a agulha com exatidão.
Vantagens da guia ultrassonográfica
- Maior precisão: o medicamento é depositado exatamente onde precisa agir;
- Menor risco: a visualização direta reduz a chance de atingir estruturas indesejadas;
- Maior eficácia: a dose correta no local correto potencializa o resultado terapêutico;
- Conforto para o paciente: procedimentos mais rápidos e com menor desconforto.
Na AVA Clínica, o núcleo de ultrassonografia integrado permite que infiltrações e bloqueios sejam realizados com guia de imagem no mesmo ambiente da consulta, sem necessidade de deslocamento para outro local ou agendamento separado.
A importância do acompanhamento multidisciplinar
A enxaqueca crônica é uma condição complexa que se beneficia enormemente de uma abordagem que vai além do neurologista ou do especialista em dor atuando de forma isolada.
- Hábitos e gatilhos: o diário de cefaleia ajuda a identificar padrões de sono, jejum e alimentação associados às crises;
- Avaliação hormonal: flutuações hormonais são gatilhos conhecidos, especialmente em mulheres;
- Manejo do sono e do estresse: dois dos maiores fatores de cronificação, que exigem intervenção simultânea;
- Acompanhamento da resposta terapêutica: diários de cefaleia e reavaliações periódicas ajudam a verificar se o tratamento evolui como esperado.
Quando diferentes especialistas alinham condutas, o paciente recebe um cuidado mais completo e coerente.
O próximo passo no tratamento da sua enxaqueca
Se você convive com enxaqueca crônica e sente que a medicação oral não está mais sendo suficiente, existem outras opções. A toxina botulínica, os bloqueios e as infiltrações guiadas por imagem podem reduzir a frequência e a intensidade das crises em parte dos pacientes, dentro de um plano acompanhado.
Na AVA Clínica, o tratamento de enxaqueca é conduzido pelo Núcleo da Dor, com médicos como o Dr. João Nathanael Lima, médico da dor (CRM CE 13717 | RQE 12458 | Dor RQE 1247), e o Dr. Enrico Pinheiro, neurocirurgião (CRM CE 13428 | RQE 9697). A toxina botulínica para enxaqueca crônica também é aplicada pela Dra. Erica Pinheiro, dermatologista (CRM CE 14732 | RQE 13374). Saiba mais sobre o botox terapêutico.
Agende sua avaliação pelo WhatsApp da AVA Clínica. Diagnóstico e conduta dependem de avaliação médica.


