“Meu cabelo está caindo muito.” Essa é, sem dúvida, uma das queixas mais frequentes nos consultórios de dermatologia. A preocupação é compreensível: perceber uma quantidade anormal de fios na escova, no travesseiro ou no ralo do chuveiro gera ansiedade imediata. Na maioria dos casos, essa queda intensa e difusa tem um nome específico — eflúvio telógeno — e, embora assustadora, costuma ser uma condição temporária e tratável.
O que é eflúvio telógeno
Para entender o eflúvio telógeno, é preciso conhecer brevemente o ciclo de crescimento do cabelo. Cada fio de cabelo passa por três fases:
- Anágena (crescimento): fase ativa em que o fio cresce. Dura de 2 a 7 anos e, em condições normais, cerca de 85% a 90% dos fios estão nessa fase;
- Catágena (transição): fase curta, de 2 a 3 semanas, em que o fio para de crescer e se prepara para a queda;
- Telógena (queda): fase de repouso, que dura cerca de 3 meses. Ao final, o fio cai e um novo fio começa a crescer no mesmo folículo.
No eflúvio telógeno, um número anormalmente grande de fios entra na fase telógena ao mesmo tempo. O resultado é uma queda difusa, intensa e muitas vezes alarmante, que costuma se manifestar entre 2 e 4 meses após o evento desencadeante. É importante destacar: os fios que estão caindo já estavam “programados” para cair — o que aconteceu foi uma antecipação e sincronização desse processo.
Causas mais comuns
O eflúvio telógeno não surge do nada. Ele é quase sempre uma resposta do organismo a um evento ou condição que desequilibra o ciclo capilar. Entre as causas mais frequentes:
- Estresse intenso — físico ou emocional. Períodos de grande pressão, luto, mudanças bruscas na rotina;
- Febre alta e infecções — quadros infecciosos severos como dengue, chikungunya e, mais recentemente, a COVID-19;
- Dietas restritivas — regimes com redução drástica de calorias ou eliminação de grupos alimentares inteiros;
- Pós-parto — a queda capilar pós-gestacional é uma das formas mais clássicas de eflúvio telógeno, geralmente aparecendo entre 2 e 4 meses após o nascimento do bebê;
- Cirurgias e internações — o estresse físico do procedimento e da recuperação pode desencadear o processo;
- Deficiências nutricionais — carências de ferro, zinco, vitamina D e biotina estão frequentemente associadas;
- Medicamentos — alguns fármacos podem ter a queda capilar como efeito colateral, incluindo determinados anticonvulsivantes, betabloqueadores e anticoagulantes;
- Doenças da tireoide — tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem contribuir para o eflúvio.
Eflúvio telógeno pós-COVID
A pandemia de COVID-19 trouxe um aumento expressivo nos casos de eflúvio telógeno. Pacientes que tiveram a infecção — mesmo em formas leves — passaram a relatar queda intensa de cabelo semanas após a recuperação.
Por que isso acontece
O mecanismo envolve múltiplos fatores: a resposta inflamatória sistêmica provocada pelo vírus, o estresse físico e emocional da doença, a febre e, em muitos casos, deficiências nutricionais que se instalam ou se agravam durante o período de convalescença.
O padrão clássico é o surgimento da queda entre 2 e 3 meses após a fase aguda da infecção. Embora tenha preocupado muitos pacientes, a boa notícia é que, na grande maioria dos casos, o eflúvio pós-COVID segue o mesmo curso dos demais eflúvios telógenos: é transitório e reversível, desde que as causas associadas sejam identificadas e tratadas.
Como é o diagnóstico
O diagnóstico do eflúvio telógeno é essencialmente clínico, apoiado por exames complementares para identificar ou descartar causas sistêmicas.
Anamnese detalhada
O dermatologista investiga o histórico recente do paciente: eventos de estresse, doenças, cirurgias, mudanças alimentares, medicamentos, gravidez e qualquer fator que possa ter desencadeado a queda. A cronologia é fundamental — saber quando o evento ocorreu e quando a queda começou ajuda a confirmar o diagnóstico.
Pull test
O pull test é um exame simples realizado em consultório. O médico segura um conjunto de fios entre os dedos e aplica uma tração suave. Se mais de 10% dos fios se soltam, o teste é considerado positivo, indicando queda ativa.
Tricoscopia
A tricoscopia permite examinar o couro cabeludo e os fios com ampliação, identificando sinais como fios em fase telógena, presença de fios novos em crescimento e eventuais alterações que possam sugerir outros tipos de alopecia.
Exames laboratoriais
Para descartar causas sistêmicas, são solicitados exames como:
- Hemograma completo;
- Ferritina e ferro sérico;
- Vitamina D;
- Zinco;
- Hormônios tireoidianos (TSH e T4 livre);
- Outros marcadores conforme a suspeita clínica.
Essa investigação é essencial para diferenciar o eflúvio telógeno de outras condições como alopecia androgenética e alopecia areata, que demandam tratamentos distintos.
O eflúvio telógeno é reversível?
Sim. Na maioria dos casos, o eflúvio telógeno é uma condição autolimitada. Quando a causa desencadeante é identificada e tratada, o ciclo capilar tende a se normalizar e os fios voltam a crescer.
No entanto, é preciso ter paciência: a recuperação capilar é um processo lento. Os fios que caem precisam reiniciar o ciclo desde a fase anágena, e o crescimento visível leva tempo. Na maioria dos pacientes, a recuperação completa ocorre entre 6 e 12 meses após o início do tratamento.
Quando o eflúvio se prolonga por mais de seis meses sem melhora, pode se configurar como eflúvio telógeno crônico. Essa forma exige acompanhamento mais próximo e, por vezes, abordagens complementares.
Tratamentos que aceleram a recuperação
Embora o eflúvio telógeno tenda a se resolver sozinho quando a causa é eliminada, existem tratamentos que podem acelerar a recuperação e melhorar a qualidade dos fios que estão crescendo.
Suplementação dirigida
Quando os exames laboratoriais identificam deficiências nutricionais, a reposição adequada é o pilar do tratamento. Ferro, ferritina, vitamina D e zinco são os nutrientes mais frequentemente envolvidos. A suplementação deve ser orientada por exames — a automedicação com suplementos capilares genéricos raramente resolve o problema e pode mascarar deficiências mais graves.
Minoxidil
O minoxidil tópico pode ser indicado para estimular o crescimento capilar e prolongar a fase anágena. Embora seja mais associado ao tratamento da alopecia androgenética, ele também apresenta benefícios no eflúvio telógeno, especialmente em casos crônicos ou com recuperação lenta.
Mesoterapia capilar
A mesoterapia consiste na aplicação de microinjeções de substâncias ativas diretamente no couro cabeludo. Vitaminas, aminoácidos e fatores de crescimento são administrados de forma localizada, potencializando a nutrição do folículo e estimulando o crescimento.
Microagulhamento
O microagulhamento do couro cabeludo cria microlesões controladas que estimulam a regeneração tecidual e aumentam a absorção de ativos tópicos. Estudos recentes mostram resultados significativos quando associado ao minoxidil.
A importância do acompanhamento integrado
O eflúvio telógeno frequentemente envolve causas que vão além da pele e do couro cabeludo. Deficiências nutricionais, desequilíbrios hormonais e estresse crônico são fatores que exigem uma visão ampla do paciente.
Na AVA Clínica, o acompanhamento de pacientes com queda capilar é feito de forma integrada entre dermatologia e nutrologia, permitindo investigar e tratar tanto os aspectos do couro cabeludo quanto as causas sistêmicas que alimentam o problema. Essa abordagem conjunta potencializa os resultados e oferece um cuidado mais completo.
Conheça o tratamento para queda capilar na AVA Clínica e entenda como a avaliação é conduzida.
Se você está enfrentando queda de cabelo intensa e quer entender o que está acontecendo, entre em contato pelo WhatsApp da AVA Clínica e agende sua consulta de avaliação. O diagnóstico correto é o primeiro passo para a recuperação.